E se eu te dissesse que isso é um erro estratégico?
A maioria das marcas trava uma batalha diária pela atenção das pessoas. Só que atenção é passageira, efêmera, descartável. Pense comigo: você se lembra do 4º slide de uma palestra que achou incrível? Provavelmente não. Ela capturou sua atenção naquele momento, mas não deixou uma marca na sua memória.
Agora, se você tem um pet, é quase certo que lembra do primeiro dia que ele chegou na sua casa. Essa cena, esse sentimento, ficou gravado. E é isso que as marcas precisam buscar: serem lembradas, não apenas notadas.
Essa é a essência do Neurobranding.
O que é Neurobranding
O professor Byron Sharp fala sobre disponibilidade mental: estar presente na mente do consumidor no momento da decisão. Já Simon Sinek destaca o significado: marcas com propósito claro se tornam memoráveis.
O Neurobranding conecta essas duas ideias e traz uma nova pergunta:
O que faz uma marca ser inesquecível: neurologicamente, emocionalmente e quimicamente?
Segundo estudos, 95% das decisões de compra são tomadas no subconsciente. Ou seja, a maior parte das escolhas que um cliente faz não acontece pela lógica, mas por memória, emoção e associação.
E aqui está a chave: memória não se constrói apenas com repetição de mensagens ou campanhas bonitas. Ela nasce de impressões emocionais, experiências sensoriais e conexões subconscientes.
A emoção é o atalho
O cérebro não armazena logotipos e slogans. Ele grava como você fez a pessoa se sentir.
Isso não é poesia, é bioquímica: dopamina, oxitocina e cortisol são hormônios que determinam se um momento será lembrado. Quer que sua marca seja inesquecível? Então precisa criar experiências que despertem emoções reais.
- Dopamina: é a química da recompensa. Use-a criando momentos de surpresa e satisfação.
- Ocitocina: é a química da conexão. Marcas que constroem confiança e empatia ativam esse hormônio.
- Cortisol: ligado ao alerta. Se usado com cuidado, pode chamar atenção em situações de urgência.
Como aplicar o Neurobranding no dia a dia da sua marca
Aqui vai a parte prática:
- Crie rituais, não apenas campanhas
- Pense em algo que o cliente possa repetir e associar só à sua marca. Exemplo: o “cheirinho” das lojas da Melissa ou o café oferecido na Nespresso.
- Ative os sentidos
- Cor, som, textura, cheiro, linguagem visual. Marcas inesquecíveis falam com mais do que os olhos. Experiência sensorial é memória instantânea.
- Conte histórias que gerem identificação
- Histórias liberam oxitocina, criando conexão. Mostre pessoas reais, dilemas, conquistas.
- Surpreenda em pequenos detalhes
- A surpresa gera dopamina. Pode ser um bilhete personalizado na embalagem, um atendimento fora do comum ou um detalhe inesperado.
- Construa consistência emocional
- Mais do que cores e logos iguais em todos os canais, sua marca precisa transmitir a mesma emoção em cada ponto de contato.
Conclusão
Atenção é fogo de palha. Memória é o ativo que gera vendas e fidelidade.
Se você quer que sua marca seja lembrada, precisa ir além da estética ou da campanha do momento. Precisa criar experiências que deixem rastros emocionais, químicos e neurológicos no cliente.
Em resumo: não dispute atenção. Construa memória.